Luiz Montanini
Desde que Dáblio Bush penteou os cabelos diante das câmeras e anunciou solenemente ao mundo que seu país acabara de invadir o Iraque para `libertar´ a população local da tirania comprovada de Saddan Hussein, boa parte da liderança cristã ocidental passou a preparar sermões escatológicos anunciando a volta iminente de Jesus.
O assunto juízo final, ressuscitado por alguns dias após o tenebroso 11 de setembro de 2001 e depois esquecido, voltou à tona e com especulação dobrada. Boa parte da liderança cristã se diz certa de que a contagem regressiva para o Armagedom foi iniciada e, em decorrência, apregoa interpretações particulares sobre o fim dos tempos.
Apenas para citar alguns exemplos, o cristão `judaizante´ afirma que o relógio de Deus está próximo da meia noite e os eventos em Israel desencadearão o retorno de Cristo. O cristão para quem Israel hoje é a igreja afirma que Deus cumprirá seus desígnios por meio da própria e, portanto, a igreja é o relógio de Deus. Quando esta tiver acabado de cumprir o grande mandamento de evangelizar o mundo, Jesus voltará, afirmam.
Outros partem para o extremo misticismo em suas interpretações e vêem uma conspiração da Nova Ordem Mundial em cada esquina. O crente pragmático, por sua vez, vê na atuação política a chave para o estabelecimento do reino de Deus na terra e por isso tanto apóia a ação beligerante do crente Bush como prega de púlpito que o Brasil precisa de um presidente evangélico e até indica nome e número do candidato.
Certos de que ambos, igreja e Israel são o relógio de Deus, outra corrente de elos fortes está sendo formada no Brasil e no mundo. A visão profética destes homens e mulheres de Deus é a do surgimento na terra de uma igreja verdadeiramente gloriosa que vencerá o anticristo e seus asseclas de uma forma diferente da que é apresentada hoje.
Algumas características as diferenciam dos demais: não se autodenominam apóstolos sem sê-lo, mas esperam, isto sim, o surgimento de verdadeiros apóstolos e profetas que, a exemplo de Jesus, falem à igreja como quem têm autoridade e, em razão disso, sejam reconhecidos.
Para estes, a igreja será realmente gloriosa, mas gloriosa em amar, em perdoar, em andar a segunda milha, em julgar com sabedoria e em humildade. E em muito poder, a ponto de fechar o céu para que não chova nos dias da sua profecia. Não pregam teologias de escape, como a do anti-bíblico arrebatamento antes da grande tribulação (2 Ts 2:3), mas entendem que a igreja passará por ela em vitória – mesmo que esta vitória se caracterize por eventuais martírios decorrentes da perseguição.
Entendem que o caminho da segunda e definitiva volta do Senhor Jesus estará preparado quando a Palavra do Reino for pregada a todas as nações. Não uma palavra insossa de evangelização sem mudança de vida, mas uma palavra viva que leve os ouvintes ao arrependimento genuíno.
Têm convicção de que Deus Pai é o Senhor da história e do tempo. E que o relógio está nas suas mãos. Um relógio de dois ponteiros. Um deles marca os eventos na nação de Israel. Outro, simultaneamente marca os eventos no Israel espiritual de Deus, a igreja.
Ambos os ponteiros estão próximos da meia-noite. E Jesus disse, na parábola das dez virgens, logo após o sermão profético: `À meia-noite ouviu-se um grito: eis o noivo´ (Mt 25:6). À meia noite, ambos os ponteiros se juntam, como um. Não se reconhece um e outro tampouco quem é o maior e quem é o menor. Isto significa que Deus está trabalhando simultaneamente em Israel e na igreja e que quando a igreja e Israel estiverem prontos, Jesus voltará.
Luiz Montanini é jornalista, escritor e responsável pelo site www.jornalhoje.com.br
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