Caros irmãos
Na quarta-feira, dia 16 de junho, cheguei de minha viagem à Bolívia. Foram treze dias de trabalho intenso e muita luta com o inimigo e o físico.
Quero lhes contar um pouco do que sucedeu. Saí daqui às 9h da manhã do dia 3 de Junho e à noite, em Sta Cruz, começou o evento do Ministério Ide às Nações.
Esse evento visa congregar Igrejas para que, juntas, se movam para fazer missões em unidade.
Havia no evento algumas congregações (no caso, denominações) e várias agências missionárias. Até o dia 5, sábado, estivemos juntos apresentando projetos e necessidades. A receptividade foi boa e portas foram abertas para caminharmos junto com a igreja na Bolívia para cumprir o propósito de Deus. A Bolívia passa por profunda crise econômica, política e institucional, correndo o risco de um aprofundamento sem retorno e sem previsões do que possa acontecer com reflexos na América do Sul.
Não somos imunes às conseqüências do que vier acontecer a esse país fronteiriço. Em meio a essa grande crise, nossos irmãos estão sustentando obreiros em diversos continentes, até em países de primeiro mundo para onde o sustento do obreiro é enviado sacrificialmente. Devemos orar para que nossos irmãos suportem toda a tribulação sem desanimar.
A partir do dia 6, fui para uma congregação pastoreada pelo irmão Carlos Nanetti (Picolo) que esteve comigo em Jundiaí, anos atrás e foi uma das pessoas que me levaram para Bolívia. Carlos Sá (de Salvador) e eu estivemos com ele e a congregação até o dia 9, sendo que na segunda Carlos foi para o Peru (ele, certamente nos dará um testemunho de sua visita àquele país).
Nesse tempo falei à para diversos grupos da congregação. Na terça-feira, dia 8, estivemos visitando uma colônia de Menonitas que estão se renovando (na Bolívia existem diversas colônias, num total de mais de 40.000 pessoas). Esses irmãos foram praticamente expulsos do convívio dos outros por quererem andar com a igreja no país em avivamento.
Os menonitas ali ainda vivem, em diversos aspectos, no século 19. Os homens vestem-se de macacão e as mulheres andam de vestido comprido e lenço na cabeça. As camisas dos homens têm que refletir a sua humildade, então quanto mais escura maior humildade (!!!). As mulheres usam vestido preto no seu casamento também por isso. Ministramos ali e vimos uma grande sede de Deus e de sua palavra. Eles acharam maravilhoso quando lhes contei que tínhamos relação com irmãos menonitas no Brasil, e se demonstraram desejosos de conhecê-los.
No dia 9 fui para Cochabamba. Ali estive com os presbíteros de duas congregações e com o povo.
Vi um povo e sua liderança necessitados e feridos por muitas aflições pelas quais passaram nos últimos anos. Bebiam a palavra com uma sede muito grande e agradeceram pela nossa ajuda e lembrança deles.
No dia 12, fui para La Paz. Graças a Deus que estive antes em Cochabamba, pois teria sido muito mais difícil suportar os efeitos da altura de quase 4.000 metros.
Os três dias numa altitude de 2800 metros me ajudaram muito. Em La Paz pude estar com os diversos setores da congregação num tempo intensíssimo.
No sábado, na minha chegada, fui dar uma entrevista e uma palavra em um programa produzido por irmãos da Igreja na Rádio Panamericana (uma rádio de grande audiência nacional). Um senhor ouviu a palavra e o testemunho e foi impactado por Deus. No domingo estava no culto e ali se entregou, perguntando o que deveria fazer para andar naquilo que ouviu.
Estive com os alunos do colégio que eles mantêm, na segunda e na terça-feira. São alunos de pais cristãos. Falei para diversas classes e vi nesse tempo um bom grupo deles (jovens, adolescentes e crianças) se entregando ao Senhor Jesus.
Na terça-feira falamos mais diretamente aos que tomaram uma decisão pelo Senhor. Vários confessaram a vida dupla que levavam. O Senhor foi extremamente misericordioso.
Os ataques foram muitos, mesmo antes de sair de Jundiaí. Um cano se abriu em cima da laje de minha casa derramando quase 500 litros de água, molhando roupas (inclusive da minha viagem) lençóis, tapetes... naquele tempo chuvoso e frio.
Em La Paz fui muito afetado pela altura e falta de oxigênio. Talvez pela intensidade das atividades fiquei debilitado. No aeroporto, no dia 16, passei muito mal com vômitos, muita dor de estômago e dores em todo o corpo. Estou agora em recuperação. Ainda sinto dores no estômago e não consigo comer o que é normal.
De qualquer forma a luta foi vencida e vi o Senhor operar maravilhas nas vidas dos nossos irmãos ali. Quero agradecer aos amados irmãos pelo sustento e ajuda nessa empreitada. Rogo que Ele, o Pai da Luzes, na sua infinita misericórdia recompense aos irmãos e nos capacite para fazer muito mais por aquele pais e pelos outros aos quais o Senhor quiser nos enviar.
Seu conservo
Jamê Nobre:
|