Missionários Imigrantes
Presb. Ronaldo Martins


Na última semana, participei nos Estados Unidos de um congresso para pastores e líderes de igrejas evangélicas brasileiras instaladas naquele país. Um dos conferencistas do encontro foi o sociólogo Paul Freston, que está realizando atualmente uma pesquisa sobre a presença de evangélicos brasileiros em outros países. Na análise ali desenvolvida, Freston apontou a necessidade urgente de que as igrejas que se encontram nesta `diáspora evangélica´ (expressão dele) desenvolvam uma `teologia do indocumentado´. Uma teologia que responda a questões como estas: um cristão deve viver e trabalhar ilegalmente em outro país? Um cristão deve subornar mexicanos para conseguir atravessar a fronteira dos Estados Unidos? A igreja pode realizar seu trabalho de evangelização em outro país sem considerar o problema de seus membros que burlam as leis e vivem na clandestinidade?

As indagações de Paul Freston caíram como uma bomba naquele Congresso. Sabe por quê? A absoluta maioria dos evangélicos brasileiros que moram nos Estados Unidos está em situação ilegal. E mais: a realidade de muitos pastores é a mesma. Alguns partiram para a `América´ à procura de melhor sorte e, chegando lá, perceberam que poderiam exercer o pastorado. Entre os imigrantes há uma carência de afeto e de contato com a cultura brasileira, o que torna a busca da religião um desejo por vezes renovado. Desta forma, o espaço para o surgimento de novas igrejas é sempre muito amplo.

Ao participar daquele diálogo fui levado obrigatoriamente a alguns questionamentos:

- Devemos relativizar a nossa ética quando a sobrevivência está em jogo? Sabemos que os brasileiros que seguem para os Estados Unidos o fazem porque não tiveram oportunidades aqui. Para muitos, a imigração é a última alternativa. Mas um cristão tem justificativas éticas e morais para viver ilegalmente em outro país? Creio que há bons argumentos para defender posições distintas em relação a este tema. Só penso que não se pode deixar de discutir a questão, como muitas igrejas brasileiras nos Estados Unidos têm feito.

- Por que cada vez mais pastores se transferem para os Estados Unidos? Líderes de ministérios outrora `reconhecidos´ aqui decidiram abrir `frentes missionários´ lá fora. São muitas as `filiais´ de igrejas brasileiras na terra do Tio Sam. Precisamos buscar compreender o que estaria por trás deste movimento: o simples desejo de expansão do evangelho ou a mudança para um país que pode oferecer melhores alternativas para a prosperidade ministerial?

- O nosso modelo missionário é passível de críticas? Confesso não saber se as igrejas brasileiras estão salgando a sociedade americana ou se estão sendo invadidas pela cultura consumista e descartável. Os otimistas de lá dizem que os brasileiros serão responsáveis por um grande avivamento nos Estados Unidos. Os pessimistas poderiam afirmar que os pastores e seus líderes mudam bastante quando começam a andar em carrões americanos. A verdade é que não existe unidade de objetivos entre os evangélicos brasileiros que vivem por lá.

Só Deus pode compreender os desejos de nossos corações. Mas de um fato não podemos nos esconder: o modelo de `imigração evangélica´ precisa responder a muitas perguntas antes de oferecer todas as respostas para outros povos.

Carta de Ricardo Gondim


Ronaldo,

Muito obrigado por sua reflexão sobre o Congresso em Boston. Acredito que o distanciamento geográfico e cultural das lideranças evangélicas brasileiras que vivem nos Estados Unidos, pode jogar alguma luz sobre a própria realidade da igreja daqui. A contribuição do Paul Freston foi fundamental. Eu, que também fui um dos preletores, procurei não apontar dedos, mas olhar para minha própria prática. Também saí irrequieto.

1. A ética evangélica é exageradamente casuística. Ela prioriza alguns `pecados´ que culturalmente foram ensinados como mais graves - beber bebidas alcoólicas, os adultérios e até ir a um estádio de futebol ou dançar a valsa na formatura dos filhos. Quando confrontados com a necessidade de conviver com outras circunstâncias, - pagar um mexicano para atravessar a fronteira, mentir para o oficial da imigração, dirigir sem carteira de motorista – elas passam a ser pequenas e há mais condescendência. Talvez a igreja precise mesmo dessa `condescendência´ para ser mais humana. Por séculos ela conviveu com a teologia da `perfeição moral´. Os crentes não podiam admitir seus erros, pecados ou imaturidades. Houve sempre muita culpa. Contudo, aí nos Estados Unidos, se os pastores não forem mais humanos e mais flexíveis com o seu rebanho de `ilegais´, acabam sozinhos. Os crentes da diáspora podem ensinar aos que ficaram aqui que viver é muito mais complexo do que se acreditou no passado e que o rigor da ética puritana e vitoriana gerou hipocrisia, ferindo muita gente.

2. A percepção evangélica de si é exageradamente triunfalista. Os evangélicos brasileiros acreditam mesmo que foram chamados para mudar o mundo. Aqui no Brasil, tanto as atitudes individuais como os projetos institucionais são megalomaníacos e muitas vezes inconseqüentes. Como a igreja tornou-se um movimento de massas, que consegue mobilizar multidões, ela nutre uma visão idealizada (irreal) de si mesma. Porém, quando se depara com outras realidades culturais, sociais e historicamente mais complicadas, nota que não está com essa bola toda. Muitos pastores que `arrasaram´ no Brasil, quando confrontados com outras culturas - inclusive aqui da América Latina - não experimentam tanto sucesso. A experiência de evangelizar outros povos pode ajudar os evangélicos nacionais a serem mais humildes.

3. A teologia evangélica é muito sem conteúdos – Os pastores têm um `dever de casa´ teológico para fazer. Mas eles se omitem do árduo labor acadêmico. Os seus pressupostos doutrinários estão desgastados pelo excessivo uso – imperam o lugar comum e as obviedades. Inúmeros líderes deixaram de ser tribunos da Palavra para se transformaram em meros repetidores de chavões. O exemplo mais claro é um modismo detestável, que se difundiu nos púlpitos de minha pátria amada. Durante o sermão, o pregador manda que as pessoas se voltem para quem está do lado e repita sua última frase, que geralmente é pura bobagem: `Varão, você é feio, mas é um vencedor´. A pergunta que não pode calar é: será que os brasileiros acreditam mesmo que podem causar algum impacto em outros países com frases de efeito tão tolas e com mensagens ralas?

4. A missiologia evangélica não é transparente. Poucos têm coragem de admitir que há interesses financeiros por detrás dessa nova onda missionária para países do Primeiro Mundo. Não há nada de errado em ser emigrante. Não é imoral sair de sua terra em busca de melhores oportunidades para si e para sua família. Querer viabilizar projetos eclesiásticos com moeda forte não é condenável. Tentar maquilar isso como um chamado divino, está errado. Afirmar que a igreja ouviu um mandado de Deus para evangelizar a Europa e os Estados, não parece honesto. Por que será que Deus não chama mais obreiros para os campos de refugiados de Darfur? Não há interesse de Jesus pelas clínicas que socorrem milhões de pacientes com AIDS no Continente Negro? Por que não se investe pesadamente no sertão nordestino, onde os índices de evangelização continuam baixíssimos?

Sim, acredito que os crentes da `diáspora´ têm contribuído muito para que se contemple mais objetivamente a realidade evangélica brasileira. Só poder sair um pouquinho do gueto, já tem um valor didático tremendo. E por isso, já sou grato a vocês que vivem no exterior.

Abraços,

Ricardo Gondim.

Soli Deo Gloria.

Missionários Imigrantes e Missionários Convidados


Josimar Salum


Tendo participado ativamente como um dos oprganizadores do Primeiro Congresso Internacional Visão Mundial - BMNET - IGREJA/CIDADE: Tempo de Conquista, realizado no mês de maio, em Wayland (Terra do Caminho), no Estado de Massachusetts, Estados Unidos, fiquei imensamente feliz ao ler os textos de Ronaldo Martins e Ricardo Gondim refletindo sobre os temas abordados, especialmente, concernente à questão imigratória.

Segundo minha percepção, parece que começa por aqui, nas terras do Tio Sam, um debate necessário sobre a realidade da igreja evangélica brasileira.

Segundo Ricardo Gondim, a situação dos brasileiros evangélicos na `Diáspora´ (os imigrantes evangélicos que residem em algum país do exterior) denuncia a realidade da igreja evangélica no Brasil.

O artigo de Ronaldo foi escrito do ponto de vista jornalístico e crítico.

A palestra de Paul Freston, citada por Ronaldo, foi baseada em dados apurados em pesquisa.

O `profeta pesquisador´ falou da realidade da igreja evangélica na `Diáspora´ com base em fatos e não em presuposições ou imaginações. As revelações deste profeta vêm da Sociologia. De forma piedosa, sem emitir nenhum juízo, ele discorreu sobre os resultados de seu empreendimento científico.

Para minha satisfação, muitas das questões que ele apresentou tenho abordado abertamente em minhas aulas no Seminário onde leciono. Portanto, ouví-lo, aumentou mais a inquietação e meu desejo de meditar mais sobre o assunto e a necessidade de ouvir outros na busca do Caminho. Reunímo-nos naqueles dias verdadeiramente na Terra do Caminho!

Muitas questões foram levantadas em ambos os artigos e meu desejo aqui é apenas levantar algumas outras do ponto de vista de um imigrante.

Primeiramente, preciso deixar claro que minhas palavras quando enfáticas não são palavras rancorosas ou enraivessidas. São apenas estilo e fruto de minha sinceridade.

E em segundo lugar, preciso esclarecer que é exagero de Ronaldo dizer que as indagações de `Paul Freston caíram como uma bomba´ no congresso, ou seja, a publicação do fato de que a maioria absoluta dos evangélicos brasileiros e grande parte dos pastores são ilegais no país. A tal da bomba não tinha estopim. Não estourou e nem podia estourar, é bomba velha! Nós já sabíamos disto.

Ilegal é o termo técnico e político. Na Teologia do Imigrante usamos o termo `indocumentado´ que é misericordioso, pois ilegal mesmo é o diabo!

Os missionários visitantes


Alguns pregadores que por aqui passam afirmam que os que são indocumentados devem voltar para o Brasil. São oportunitas. É intrigante o fato de usarem nossos púlpitos para dizerem isto. Mais intrigante quando recebem nossas ofertas gordas em dólares americanos – dinheiro de dízimos e ofertas de imigrantes indocumentados, diga-se de passagem, de gente dígna que trabalha duro, gente abençoada.

A maioria (95%) dos pregadores convidados que vêm pregar nos Estados Unidos vêm com o Visto B1-B2 (de turista). Os que vem participar de conferências com este tipo de visto, pela Lei, podem ser apenas ouvintes, não preletores.

As ofertas que recebem deveriam declarar ao fisco americano. Provavelmente não declaram nem ao fisco brasileiro. Podem declarar se quiserem, pois o Governo Americano emite legalmente um documento (ITIN – uma certa identidade de pagador de imposto). Os imigrantes indocumenados trabalham ilegalmente, mas legalmente pagam impostos com este número fornecido pelo Governo. Pura hipocrisia!

Aqueles pregadores visitantes ao pregarem sem autorização são ilegais por uma semana ou por um mês ou dois. Os outros por muitos anos. Dá no mesmo.

Para pregar ou cantar em igrejas e receber ofertas é preciso portar o visto religioso, pois aqui na terra do Tio `Sam´ pregar o Evangelho é `profissão´ e para receber oferta (honorário) tem que ter visto apropriado.

É tão ilegal quanto é ilegal grande parte de evangélicos sonegarem impostos em seu país. É pecado sonegar impostos?

Além de ilegal, é pecado e vergonhoso aqueles que, por exemplo, se compactuam com políticos corruptos evangélicos e não evangélicos. Há uma dezenas de exemplos. É possível ser ilegal no próprio país.

O Movimento Evangélico no seu fim


Lá e aqui, no Brasil e nos Estados Unidos, constato o fim da `Era Evangélica.´ A Era Protestante acabou-se antes da virada do século e no início do novo é a vez do Movimento Evangélico. Deus está fazendo coisa nova. Uma nova era está sendo inaugurada nestes dias que alguns estão denominando `A Nova Reforma.´ Este é outro assunto...

Esta discussão burguesa, intelectual, farisaica que se desenvolve no meio evangélico que não traz nenhuma resposta prática na vida de milhares de evangélicos que vivem lá e aqui é a declaração de óbito do movimento evangélico. Há crise é de caráter. Onde se prega o que não vive a morte impera livre. A credibilidade é escassa. Todo movimento que perde a credibilidade se extingue.

O movimento evangélico não consegue se auto definir mais, distanciou-se de suas raízes históricas. A árvore cresceu, é frondosa, porém velha e só dá frutos raquíticos. Todo o movimento onde seus interlocutores não conseguem definí-lo já morreu. Falta enterrar. Foi assim com o comunismo em muitos países. E a Igreja segue triunfante, pois a Igreja cujas portas o inferno não pode prevalecer não é `a igreja evangélica.´ Definitivamente.

Observem só! É preciso inventar novos métodos, fazer marabalismos enormes – teológicos, de `praxi´, seguir uma nova corrente sempre, atrair pelo `marketing´, modernizar a mensagem, suportar o `movimento gospel – um mercado de bilhões de reais e a pobreza de nossos irmãos continua a mesma. Um movimento que precisa de novidades sempre e um defunto com flores frescas.

Os imigrantes brasileiros, gente que sofre, está longe da esposa, dos filhos, lutando pela sobrevivência, sonhando com uma vida melhor precisam de uma Palavra de Deus para aliviar suas dores e se estiverem na miséria do pecado precisam de livertação. `O Senhor me ungiu par pregar boas novas aos manos se libertar os cativos...´

Digo que o movimento evangélico faleceu, pois é só discurso, e boa parte das vezes é discurso revestido de uma falsa espiritualidade que se transcende aos céus porque não consegue responder as questões da vida aqui na terra.

É discurso espiritualista hipócrita e soberbo pois não traz respostas para a vida das pessoas, ao contrário, aumenta a culpa e a miséria delas. E aí me lembro de Jesus e fico acalentado: `Misericórdia quero e não sacrifício...´

O Evangelho continua o mesmo! Mas a pregação do evangelho de hoje é somente ética, moralista e muito capitalista – aqui na América rica e lá na América adormecida. Ora os que chegaram aqui vieram de lá. O problema vem de lá e não aqui. Raciocínio lógico. A maioria dos pastores que conheço aqui são gente honesta e de caráter. É preciso pensar muito em apontar o dedo sem misericórdia!

É assim que este discurso acefálico me irrita, mais do que as constatações do irmão Paul. Já não basta os pecados e os demônios muitíssimos, para fabricarem mais alguns! Dá um tempo, por favor!

Os imigrantes brasileiros nos Estados Unidos


Brasileiros, os fatos aqui são estes! Fatos do dia a dia, de muitos anos.

A maioria dos imigrantes que entraram e vivem neste país não portavam ocumentos legais para trabalharem e residirem aqui. Uma ínfima minoria de pastores chegaram aos Estados Unidos de posse do `Green Card´ (visto permanente). Grande parte dos pastores que têm hoje `Green Card´ um dia foram indocumentados.

O imigrante, por natureza conquistador (se não fosse, teria permanecido no Brasil) ora para que Deus mande um coiote abençoado e o dinheiro (em torno de dez mil dólares) para pagar a travessia e ora para passar pela fronteira sem ser pego.

Quando não vem pelo México, vai no Consulado Americano e diz que vai visitar os Estados Unidos para passeio; até escreve no formulário. O Cônsul, muito desconfiado, concede o visto de turista.

Assim o imigrante entra no país meio legal pela porta da frente e o agente da imigração não vê o que entra totalmente ilegal. Meio legal pois tem o visto para entrar e permanecer por uns dias, mas não para trabalhar e residir aqui.

Nem um nem outro poderiam trabalhar, nem os pastores pregarem nem os cantores cantarem. Mas me parece que Deus abençoa toda esta gente, pois continuam entrando aos milhares. Para ser honesto comigo mesmo, abençoa até os incrédulos, inclusive, que nem oram e mesmo assim passam pelo fronteira livremente.

Se este `raciocínio teológico´ está certo (nem toda a questão da vida tem que ser medida eticamente), parece que Deus fecha os olhos quando esta multidão passa pela fronteira ou então está bem de olhos abertos e os deixa aos milhares entrarem nos Estados Unidos, deixando serem presos somente uma minoria, por `incompetência das autoridades´, como afirmam alguns Senadores Americanos.

Os Estados Unidos foram fundados por estrangeiros. Os Pilgrins, como são historicamente conhecidos, grande parte cristãos. Aos cristãos imigrantes de hoje eu os chamo de `Os Últimos ou Novos Pilgrins.´ É a História que se repete.

O que a Bíblia fala a respeito de Imigração?


Penso que a Bíblia tem muito a dizer sobre imigração. Tenho folheado as páginas da Bíblia com olhos de imigrante e tenho meditado nisto há alguns anos.

A Bíblia é por excelência um livro de história de imigrantes. De Gênesis a Apocalipse este tema predomina. Desde Abrãao a João na Ilha de Patmos a Bíblia narra a história de homens e mulheres que deixaram sua terra natal para viverem em terra alheia.

A Bíblia é a Revelação do Deus dos Imigrantes. Do Deus que proteje e defende os imigrantes. Que ordena a Israel a tratar bem os imigrantes, a alimentá-los pois no passado também foram imigrantes.

A Bíblia narra a história de Seu povo peregrino em terra estranha. A História de José no Egito, de Rute a estrangeira em Israel e de Daniel na Babilônia. A história dos discípulos feitos imigrantes pela grande comissão de Jesus. Atos dos Apóstolos é uma grande tratado de imigração. A Bíblia é em geral a história de cidadãos dos céus, portanto, estrangeiros e peregrinos nesta terra estranha.

As duas ordens diretas de Deus para abençoar os povos da terra são na sua natureza e missão imigratórias.

Para Abrão: `Sai-te da tua terra e da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que Eu te mostrarei.´ (Gn. 12:1)

Em outras palavras Deus ordenou a Abraão: `Imigrai...´

E Abrão imigrou, cruzou fronteiras. Para sobreviver em terra estranha chegou até a mentir (no episódio de sua mulher e Faraó). Imigrante indocumentado vive com o dilema diário da mentira atormentando a vida. Abraão foi muito abençoado. Imigrante cristão, descendente de Abraão também.

A Abraão Deus prometeu uma terra estranha por herança. Ele mesmo não herdou a terra em vida. O único pedaço adquiriu por compra para poder enterrar sua esposa, também peregrina com ele.

Por centenas de anos, ele, seus filhos, netos e descendentes foram simplesmente estrangeiros. Que por fim herdaram a terra prometida. De fato, tiveram que conquistá-la.

Geralmente as gerações seguintes dos imigrantes se tornam poderosos na terra e é apenas uma questão de tempo para vermos isto acontecer com os nossos filhos brasileiros (os brazucas).

E a segunda ordem de Deus, foi dada por Jesus, quando disse aos Seus discípulos: `Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura...´ (Mc. 16:15).

Em outras palavras Jesus ordenou: `Imigrai...´

É ilegal pregar o Evangelho em terra estranha sem visto, mas não estou convencido de que seja pecado.

Sem querer exagerar, o próprio Jesus era estrangeiro nesta terra. Ele mesmo disse: `Não sou deste mundo...´ É verdade que todos nós somos peregrinos e estrangeiros neste mundo. (I Pe. 2:1)

Vou terminar relatando como fato minha experiência.

Há três anos atrás ao compartilhar algumas destas expressões com um amigo americano, ele retrucou perguntando: `Vai agora desenvolver uma teologia inteira do imigrante através da Bíblia?´

Por que não? Tenho pesquisado na Palavra de Deus o que Ele diz a respeito de imigrantes e tenho sido muito abençoado com as verdades que descobri.

Sem demagogia. Sem moralismo. Abertamente tenho falado e escrito sobre isto. Enfrentando a realidade, onde a ética é um constante conflito na vida de muitos que ousaram viver na `ilegalidade´ em terra estranha.

Vida de imigrante não é fácil. Meu bisavô era libanês e foi viver no Brasil no início do século passado, fugindo dos turcos que invadiram o Líbano. No Brasil, meu avô contava, passou até fome. Morreu ainda jovem, vítima da miséria.

Eu mesmo imigrei para os Estados Unidos, como missionário, fixando minha residência definitiva neste país a partir de 1997.

Nos últimos anos millhares de brasileiros imigraram-se para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor, dentre eles millhares de cristãos genuínos que ousaram desafiar as leis do país e a conflitarem suas consciências por isto, e vivem aqui, peregrinos em terra estranha, vencendo na vida, pregando o Evangelho e vivendo como Igreja.

Para mim, não sei para você, mas para mim as palavras do Espírito Santo devem nortear esta questão toda:

`De um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previvamente estabelecidos e os lugares onde iriam habitar.´ (At. 17:16, NIV)

E aqui chegamos, com visto ou sem visto, às terras norte americanas.

`Os que saíram para a Terra do Norte fizeram repousar o Meu Espírito no país do Norte.´, assim diz o Senhor.






Este documento foi editado online para Web através do WebWriter
powered byDCON